|
AMNERES PEREIRA
( BRASIL - PARAIBA )
Paraibana, residente em Brasília, DF.
Bacharela em Letras e Jornalista.
Livros publicados: Pedro Penseiro (conto). Brasília:
Editora Thesaurus, 1980; Emquatro (poesias). Editora Thesaurus, DF; Monólogo da Noite (conto). 1º. Lugar no Concurso de Contos Edgar Allan Poe, promovido pelo Departamento de Letras e Linguística da Universidade de Brasília, 1984.
Antologia de Poetas de Brasília. Poema Tropicanção: Shogum Arte Editora, 1985 - Rio de Janeiro - RJ.
PEREIRA, Amneres. Humaníssima Trindade (1986-1991). Belo Horizonte: 1992. No. 10 949
Exemplar da biblioteca de Antonio Miranda
PÁTRIA
Penso no meu país como uma pétala.
Filha do outono,
ressecada,
incerta,
varrida por tantos ventos imperiais,
levada a tão sombrios becos,
leitos de fera fome,
palcos de saques
e de emboscadas.
Penso no meu País como uma flor.
Cálida candura,
verde vitória-régia,
frágil gigante a flutuar
em pantanosas águas,
barco-refúgios,
flor-coração.
Penso no meu País como uma brasa
que se toca, fere
que se toca, encanta
que se toca, arde.
Tocha Brasil,
o teu fado é morte ou eternidade?
Penso no meu País como um alarde.
Um grito de susto e festa,
algo que contamina,
que me possui,
domina.
És dos teus filhos
paraíso e cruz.
Penso no meu País como um fresta,
penso no meu País como uma luz.
ODE CANDANGA
Pássaro-sonho
Montei as asas,
alados olhos
e o coração aceso
em espantada chama.
Pássaro-sonho.
Espelho exótico
do andarilho,
para sempre filho
do corpo ácido do cerrado.
Pássaro-sonho.
Em ti a marca do desatino,
ave profeta
da Nação futura,
pássaro-hino.
Vejo-te, um dia,
a revoar
no azulíssimo céu,
quando for farta e gloriosa
a terra.
Vejo-te ir,
ave de pratas,
a outras pátria,
a outros filhos,
arrebatados,
embriagados
da esperança e do delírio
de ter asas.
ÍMPAR
Esquece teu pranto,
por um instante
e escuta a dor universal
onde teu povo nada, afunda, emerge,
desesperadamente,
sem nunca encontrar a margem.
Divide com ele a tua tábua,
por mais estreita,
por mais frágil,
resiste
ao primitivo impulso de fugir,
de escapar sozinho,
fingindo-se cego, surdo, imune,
resiste.
Por mais que nades ou te debatas,
não chegarás,
porque esse mar não tem margem
e as suas ondas escondem a fúria do maremoto,
sempre,
pronto a explodir,
mesmo na mais aparente mansidão.
Porque o fim virá,
inevitavelmente,
a qualquer horas, refaz-se a onda
que te afogará.
Enquanto isso,
será maior a tua dor,
assustadoramente,
porque única,
farta de sum
enclausurada
na irrevogável solidão do ímpar.
*
VEJA e LEIA outros poetas da Paraíba em nosso Portal:
https://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/paraiba/paraiba.html
Página publicada em janeiro de 2026.
|